terça-feira, 6 de abril de 2010

Seguro para multidões

Caixa entra no ramo de saúde e agita a concorrência de um setor que investe na popularização e pode dobrar de tamanho em cinco anos, para 7% do PIB Por Milton Gamez e Márcio Kroehn

Durante muitas décadas, a Caixa Econômica Federal atuou como um banco popular de uma nota só: habitação. Movida pelos financiamentos para a compra da casa própria, a Caixa transformou-se nos últimos anos numa organização ambiciosa, com atuação em várias frentes e oferta de produtos para pessoas físicas e jurídicas. Seu último movimento, na segunda-feira 29, foi a decisão de fincar pé no setor de seguro saúde. Em assembleia, os conselheiros da instituição aprovaram a criação de uma seguradora específica para esse fim. Faz sentido?

Nova estratégia: A presidente da Caixa, Maria Fernanda (acima), decide entrar no mercado de planos de saúde, dominado pelas seguradoras Bradesco e SulAmérica.

Quando se olha o potencial de receitas desse mercado, sim. “O mercado de seguros vai superar o bancário em pouco tempo. Lá fora, as seguradoras é que são donas de bancos”, diz ARMANDO VERGÍLIO, ex-presidente da Susep. No caso da saúde, o mercado brasileiro movimentou R$ 63,6 bilhões em 2009, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS).

Somente em 2010, o crescimento do setor deverá ser de 16% a 20%, segundo as projeções Susep, autarquia que regula e fiscaliza empresas de seguros (exceto saúde), previdência aberta e capitalização. No ano passado, as receitas totais dessas companhias aumentaram 12%, para R$ 95 bilhões, e atingiram 3,16% do PIB, um recorde histórico.

ARMANDO VERGÍLIO, que dirigiu a Susep até o mês passado, prevê o dobro disso em pouco tempo. “Se não fizermos nada, o seguro vai a 6% do PIB em 10 ou 12 anos. Pelas ações estruturadas ou planejadas para curto e médio prazo, chega a 7% em cinco anos”, afirma.

O fortalecimento do setor, com a capitalização obrigatória das empresas a partir de 2008, é um dos fatores importantes nesse cenário. Segundo VERGÍLIO, os aumentos de até R$ 30 bilhões em capital ajudaram as companhias a atravessar incólumes a crise deflagrada pela quebra da maior seguradora do mundo, a AIG, nos Estados Unidos, em setembro daquele ano. “Hoje não temos mais seguradoras ameaçadas de quebrar. Isso chegou a preocupar o governo”, revelou VERGÍLIO à DINHEIRO.

Otimismo: O ex-superintendente da Susep ARMANDO VERGÍLIO prevê que o setor de seguros pode chegar a 7% do PIB em cinco anos.

A AIG era associada ao Unibanco e não corria risco local, mas o nervosismo dos mercados apressou a fusão com o Itaú, que estava sendo negociada. “O risco de imagem é tão forte que precipitou a fusão. Isso foi rapidamente equacionado. A associação do Itaú Unibanco com a Porto Seguro em automóveis fortaleceu ainda mais a atuação deles”, diz VERGÍLIO.

Quando for aprovado pelo Ministério da Fazenda, o projeto do microsseguro, com apólices específicas para o público de baixa renda, poderá incluir mais 80 milhões de consumidores no mercado, prevê o ex-superintendente. Enquanto isso não acontece, as companhias têm investido em pacotes mais baratos de proteção de pessoas e bens.

As apólices para as multidões sguros. As grandes estrelas são os planos odontológicos e de saúde para pequenas e médias empresas. Não foi à toa que a Bradesco associou-se à Odontoprev e, agora, a Caixa decidiu entrar nesse filão.

Revista Isto é Dinheiro
Finanças, 04/2010
(trecho)

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